quarta-feira, 4 de junho de 2008

A Metodologia Tomista - Parte 01

1. Origem
O vocábulo metodologia, no contexto filosófico, teve a sua utilização intensificada a partir da obra de Pedro Ramus, Dialecticae institutiones, de 1543.
A Metodologia tem quatro sentidos: lógico, como parte da lógica que estuda os métodos; lógica transcendental aplicada; conjunto de procedimentos metódicos de uma ou mais ciências e análise filosófica de tais procedimentos.
Entende-se, aqui, por metodologia a análise filosófica dos métodos e procedimentos de uma ciência. Em síntese, metodologia é o estudo dos métodos, das etapas a seguir num determinado processo, cuja finalidade é captar e analisar as características dos vários métodos disponíveis e avaliar suas capacidades, potencialidades, limitações ou distorções, bem como criticar os pressupostos ou as implicações de sua utilização. Além de ser uma disciplina que estuda os métodos, a metodologia é também considerada uma forma de conduzir a pesquisa. A palavra metodologia que é composta de dois vocábulos: mšqodoj = caminho para chegar a um fim [metodos+logia= metodologia] serve adequadamente para significar o estudo filosófico do método tomista.
Aqui tomamos Metodologia Tomista para designar o estudo do método que o Aquinate seguiu para desenvolver sua pesquisa filosófico-teológica.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Nascimento da Filosofia - Parte 03

Conclusões

O nascimento da Filosofia foi propiciado por uma série de fatores que ocorriam na sociedade grega por volta dos séculos VI e VII a.C. O contato com outras culturas, o desenvolvimento do comércio e as necessidades de expansão das navegações tornaram fecundos os questionamentos racionais sobre o mundo percebido pelas pessoas naquele ponto do espaço-tempo. Os mitos, que explicavam a origem e a ordem do mundo posto, deram lugar ao pensamento racional, sendo possível o alcance do entendimento ao homem a partir de seus pensamentos, não mais por revelações divinas.

Os primeiros filósofos voltavam suas atenções para a natureza e encontravam, durante suas reflexões, a necessidade de estabelecer qual era o princípio gerador de tudo. Este princípio é chamado de arqué. Muito foi desenvolvido a respeito deste conceito, tendo os mais variados elementos defendidos pelos filósofos: a água, o ar, o fogo, os números, o átomo. Porém, esta é uma discussão que se apresenta até nossos dias, sem uma conclusão satisfatória. Este tipo de pensamento racional deu origem às ciências naturais, que estão presentes em nossos estudos cotidianos até os dias de hoje.

A investigação dos fenômenos naturais e o espírito crítico dos primeiros filósofos ainda permanecem presente entre nós, permitindo o avanço do pensamento humano e o conhecimento do mundo no qual estamos inseridos.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Nascimento da Filosofia - Parte 02

O pensamento filosófico
Inicia-se, então, um avanço do pensamento poético, recheado de alegorias dos mitos, para um pensamento filosófico, racional. Era a ascensão do logos sobre a mitologia. Assim, se entende que houve uma passagem de um modo de pensar baseado pela força da narrativa (tradição oral) para um conhecimento pautado pelo discurso (lógico e argumentativo). Os gregos tiveram então, o surgimento de um pensamento que mudava o paradigma da época, procurando entender a vida e os fatos do mundo de forma mais sistemática (com relações de causa e efeito) com forte reflexão sobre na natureza externa. Este pensamento é recheado de questões cosmológicas.
A idéia central era a de que a Natureza opera obedecendo a leis e princípios necessários e universais, isto é, os mesmos em toda a parte e em todos os tempos. Filósofos naturalistas Os primeiros filósofos questionavam a forma como os fenômenos da Natureza ocorriam, tirando todas as alegorias que existiam em volta deles. Uma das maiores dúvidas destes primeiros filósofos era a origem de tudo, ou seja o que era o arch (arqué). Qual a substância que era o ponto de partida para todas as outras?
Vários pensadores apresentavam seus pontos de vista, dentre eles, os seguintes:
Tales de Mileto (630-545 a.C.) : defendia que o arqué era a água.Anaximandro (610 - 545 a.C.): desenvolveu sua teoria de que o arqué não se constitui de elementos materiais, como ar, água, terra ou fogo, mas é um elemento indeterminado (apeiron: apeiron), algo indefinido, infinito, universal.
Anaxímenes (séc. VI a.C.): atribuía a arque ao ar (pneuma: pneuma) ou espírito. Os elementos da natureza seriam feitos a partir da condensação deste elemento
Pitágoras (570 - 490 a.C.): via a arqué como mônada (monada), ou seja, um o elemento indeterminado, que serve de substrato material aos números. Os números estão presentes e dão origem aos pontos, linhas, formas, figuras planas, espaciais, dos quais procede tudo o que existe.
Heráclito (540- 476 a.C.): Para ele, a arque era o fogo e desenvolveu o raciocínio de que tudo está em constante devir (panta rei: panta rei).
Parmênides (515 - 440 a.C.): Afirmava que a arqué era o ser. Para ele o ser existe e o não-ser não existe, conseqüentemente não existe mudança real, em contraposição a Heráclito. Para Parmênides o ser é único, imóvel, imutável, invariável, eterno.Demócrito (461 - 361 a.C.): A arqué era o átomo (atomo), sendo tudo constituído por ele, até mesmo os deuses.
Esta nova forma de pensamento trouxe para a Filosofia o desenvolvimento das ciências naturais, iniciando uma revolução no pensamento ocidental.

domingo, 18 de maio de 2008

Nascimento da Filosofia - Parte 01

Nascimento da Filosofia

Filosofia é uma palavra formada pela junção de dois vocábulos gregos – φιλο (filo, amar) e σοφία (sophos, sabedoria), o que significa "amor pela sabedoria", sendo, então, "filósofo" o "amigo da sabedoria", “o que ama a sabedoria”. Diógenes Laércio, primeiro historiador da filosofia, atribui a Pitágoras, matemático e filósofo da Grécia antiga, ter-se chamado a si mesmo de filósofo.

A filosofia nasce por volta do século VI ou VII a.C nas cidades gregas da Ásia Menor, apesar da sabedoria dos povos existir em todas as partes do mundo. Porém, foi na Grécia que encontramos todo o padrão investigativo e racional de pensamento que existe até hoje.

Durante os séculos que antecederam seu nascimento, houve o desenvolvimento da agricultura, permitindo a sedentarização do homem, levando ao surgimento das cidades e a conseqüente criação do comércio. Essa constante troca de mercadorias e informações foi gerando uma sociedade organizada sócio-politicamente, com governos estabelecidos e classes sociais. Os gregos eram grandes navegadores e estavam em constante contato com as culturas de outros povos. As reflexões para obtenção de conhecimentos racionais eram necessárias, a fim de prever certos acontecimentos da natureza e organizar a vida das pessoas e o comércio existente, o que levou ao desenvolvimento da escrita, da moeda e do calendário. Nota-se aqui o nascimento de alguns fatores que já indicavam uma mudança na forma de viver das pessoas, influenciando a forma de seus pensamentos.

Além disso, os gregos tinham uma relação particular com seus deuses. A mitologia que reinava, tradicionalmente oral, explicava todos os fenômenos da Natureza, sendo as causas dos fenômenos atribuídas à deuses, gênios e formando uma grande história para a criação dos seres e do universo. Os deuses gregos eram muito próximos dos seres humanos, possuindo inclusive, aspectos emocionais como ódio, paixão, tristeza, dentre outros. Assim, os gregos se relacionavam com o mundo sobrenatural de uma forma diferente de outros povos, os quais possuíam deuses mais afastados da realidade humana, sendo muitas vezes de temperança baseada em humores. Era comum a utilização de sacrifícios, orações e toda a sorte de superstições a fim de influenciar a satisfação de um ou mais deuses, a fim de conseguir uma boa colheita, uma chuva, sucesso em uma batalha, etc.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A sexualidade

Flávio Gikovate analisa que, na cultura ocidental, o sexo sempre esteve associado com a agressividade e não com o amor. O sexo está associado com jogo de poder, competição, consumismo, guerra dos sexos. A raiva puxa o desejo e nas escolhas afetivas está presente. O seu objetivo é conscientizar e denunciar essa associação. Seu livro “A Libertação Sexual” fundamenta-se na idéia de que esta associação precisa ser desfeita em dois fenômenos distintos. Para ele, amor é uma sensação de paz e aconchego que se experimenta com o outro, e sexo é uma sensação física de excitação que pode se experimentar sozinho. Palestra proferida no Café Filosófico de 6/1/2005.

Veja aqui.

terça-feira, 13 de maio de 2008

RELAÇÃO ENTRE AMOR E FILOSOFIA - Parte 03

Amor, intermediário e mediador

Platão daí deduz três conseqüências que enfatizam sua condição de “intermediário”: não é mortal nem imortal, indigente nem opulento, ignorante nem sábio; é um “meio-termo” que participa desses contrastes sem se confundir com nenhum deles. O último par dos contrastes é essencialmente interessante e permite uma extensão significativa. É por estar no meio, entre a ignorância e o saber, que o amor é filósofo. Um deus não filosofa, já que sabe; o ignorante não filosofa, pois nem mesmo sabe que não sabe; portanto, eles não tem necessidade nem desejo. Eros está consciente da carência e aspira, com todo o seu ser, a preenchê-la. Parte à conquista do saber, e é essa busca ou conquista – a alegoria da caverna já nos tinha ensinado – que se chama filosofia. Assim, a filosofia é amor, o amor é filósofo, e Sócrates é o protótipo acabado dessas duas mediações salvadoras.

Amar é conceber na beleza, em conformidade com a alma e o corpo”. O amor, expressão de nossa indigência fundamental, será também o trampolim privilegiado para o acesso ao essencial: a contemplação do absoluto.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

RELAÇÃO ENTRE AMOR E FILOSOFIA - Parte 02

A cena passa-se no dia do nascimento de Afrodite, apresentada aqui mais como a deusa da Bondade do que do Amor (203c). Eros não nasce de Afrodite, como o deixam entender numerosas narrativas mitológicas, nasce sob o signo da beleza. É por isso que, sem ser ele mesmo belo, será aspiração pela beleza (cf. a continuação inspirada do discurso de Diotima). É filho de Poros (Recursos), ele mesmo filho de Métis (Sabedoria, inteligência prática). A personificação desse nome, que significa, antes de mais nada, “passagem”, “via”, não é uma grande invenção de Platão, mas toda a descrição encantadora da figura paterna nos remete à idéia de uma natureza inventiva e astuciosa, sempre à espreita, na procura ou na caça.
Engenhoso (Porimos), Poros é aquele que sempre sabe encontrar os meios (as “passagens”) para obter aquilo que visa. Risco e aventura não lhe fazem medo: é, essencialmente, investigador, caçador, conquistador. Foi gerado por Penia, pobre mendiga, que se aproveita do sono pesado de Poros para se unir a ele, esperando com isso conseguir algum alívio para sua miséria. Tudo a caracteriza negativamente: miséria, indigência, vida de vadiagem, sem teto nem lei. Todo o seu ser não é mais do que um vazio, sem os meios que o permitiriam preencher. É o anti-Poros, já que ela mesma é Aporia.
Eros herdou de seus dois pais, ao mesmo tempo, numa mistura, afinal de contas, feliz, ainda que não seja harmoniosamente estável: mendigo e investigador, inquieto e apaixonado, pobre em bens materiais, mas rico em recursos potenciais, não tem nada, mas quer muito. Daí sua natureza dinâmica, mas instável, seu caráter ardente, mas caprichoso, sua engenhosidade inventiva, mas sempre insatisfeita. Está em penúria, mas conhece sua penúria; quer sair de si e aspira por saber, por beleza e por fecundiade.